Depois de um ano de grande retração da economia mundial, em 2021 o mercado brasileiro deu seus primeiros sinais de recuperação apresentando um incremento de 16% nas exportações automotivas em comparação a 2020.

O Brasil é um dos maiores produtores de automóveis no planeta, já estivemos em quarto lugar no ranking mundial e hoje ocupamos a oitava posição, produzindo mais de 200 mil unidades ao ano. Boa parte dessa produção alimenta o mercado interno brasileiro, o que nos faz cair para a 26º posição no ranking mundial de importações.

Assim como o resto do mundo, o país sofreu o impacto da pandemia de covid-19 fortemente no setor automotivo. Com a necessidade de isolamento social e até fechamento de fábricas, trabalhadores paralisaram, os pedidos de matéria-prima foram cancelados e as vendas se estagnaram. Isso sem falar na crise dos semicondutores e a escassez generalizada de insumos, como plásticos, resinas e borrachas. Ou seja, o mercado automotivo virou terra arrasada por todos os cantos.

Agora, com a pandemia momentaneamente controlada e a maior parte das atividades econômicas voltando a ganhar força, nesse cenário pós-pandemia, os principais desafios do setor automotivo serão recuperar as vendas, normalizar as atividades e melhorar a competitividade. Isso porque a falta de peças, as dificuldades logísticas, a escalada dos preços e o dólar alto, são grandes dificuldades a serem enfrentadas.

Previsões mais otimistas vêem o setor se normalizando ainda no segundo semestre de 2022, mas a previsão é que volte efetivamente à normalidade somente a partir de 2023.

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Exportações automotivas em 2021

Ainda sofrendo com as dificuldades da economia brasileira, como a desvalorização do real, o crescimento da inflação, o aumento dos juros e os reflexos da pandemia do covid-19, o mercado automotivo apresentou seus primeiros sinais de recuperação em 2021.

Considerando ainda a instabilidade agravada pela falta de componentes e as linhas de montagem desaceleraram e até o congelamento das atividades, cerca de 300 mil carros deixaram de ser produzidos. Logo, era inevitável a retração do mercado de exportações automotivas que vivemos em 2020.

Contudo, a rápida recuperação econômica após o pico da pandemia em mercados como Chile, Colômbia, Peru e Uruguai ajudou a alavancar as exportações automotivas brasileiras. As 376,4 mil unidades exportadas em 2021 representaram crescimento de 16% sobre o ano anterior, mas ainda muito longe dos 629 mil veículos de 2018.

Ainda que continue sendo o principal destino das exportações automotivas brasileiras, pela primeira vez, a Argentina representou menos da metade dos embarques nacionais (34% do total). Essa retração na comercialização com o país deve-se aos seus problemas econômicos internos, bem como às restrições comerciais impostas pelo governo argentino.

Ainda assim, a Argentina apresenta sinais de recuperação registrando crescimento de 10% em 2021 na comparação com 2020. A continuidade dessa recuperação econômica do país é fundamental para que os exportadores automotivos brasileiros tenham previsibilidade e consigam retomar as relações comerciais.

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Ao passo que as exportações automotivas para argentina caíram 21%, as relações comerciais no mercado automotivo cresceram 196% com o Chile e 106% com o Peru. O que levou os países a aumentarem expressivamente suas participações nas exportações automotivas de 4% para 11% o Chile e de 3% para 6% o Peru.

Em termos de valores, as exportações automotivas tiveram alta ainda maior, de 37,8%, em 2021, por conta do envio mais representativo de veículos com maior valor agregado, como caminhões e SUVs. Para 2022, a expectativa é de exportar 390 mil unidades, um incremento de 3,6% sobre o ano anterior.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotor (Anfavea), Luis Carlos Moraes, os resultados das exportações automotivas em 2021 poderiam ser melhores, mas as restrições impostas pela pandemia em alguns mercados ainda estão influenciando. O executivo também destacou os problemas com créditos tributários e que os números, apesar de bons, ainda estão muito abaixo do que a indústria pode fazer.

Infelizmente, essa primeira reação que vivenciamos em 2021 ainda não nos levou de volta à realidade produtiva de 2019. Mesmo as projeções para 2022 ainda não nos levariam à recuperação plena, o que fica ainda mais ameaçado diante do cenário político com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Fábricas como Audi, General Motors, Jaguar, Land Rover, Porsche, Skoda e Volkswagen já anunciaram que as importações de veículos para a Rússia estão suspensas, por exemplo.

Em uma indústria global, que depende da importação de componentes, sistemas e até mesmo de produtos acabados, a guerra na Ucrânia tem potencial de trazer novos riscos. O conflito pode impactar rotas marítimas e até mesmo aéreas, transporte que tem sido usado cada vez mais para superar os desafios da pandemia.

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Exportações automotivas em 2022

Já no ano de 2022, as exportações automotivas brasileiras registram uma alta de 17,3% no biênio janeiro-fevereiro em comparação com igual período de 2021. Em números, foram 69,1 mil veículos embarcados, registrando um crescimento de 25,4 para o mês de fevereiro, enquanto que em janeiro o crescimento foi de 6,6%.

O salto de fevereiro deve-se ao fato de que parte das cargas deixou de ser embarcadas, somente podendo seguir para seus destinos em fevereiro, engrossando assim o volume de exportações automotivas.

A expectativa é que a exportação automotiva, que teve o melhor desempenho no universo automotivo em 2021, em 2022 deverá crescer 3,6% com o embarque de 390 mil unidades.

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Apesar do crescimento registrado, o país poderia ter um volume maior de exportações automovias com a diminuição dos entraves tributários e burocráticos. O custo Brasil segue sendo o entrave principal para o crescimento maior das exportações. O fato é que nosso país precisa se reinventar e se tornar competitivo para atender o mercado externo e interno e ter uma indústria de transformação exportadora.

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