Estão aparecendo no Brasil plataformas de serviço de carro compartilhado. Entenda o que é este serviço e como ele funciona.

Certamente você já viu ou já ouviu falar nas bicicletas compartilhadas, como a icônica bicicleta laranja do Itaú. O serviço de compartilhamento de equipamentos que conquistou o país através das bicicletas está se expandindo. Hoje já existem aplicativos até para o compartilhamento de guarda chuva! Logo, o serviço de compartilhamento de carros aproveitou para surfar essa onda e ampliar mercados em solo brasileiro.

Os serviços de compartilhamento de meios de transporte estão se multiplicando pelo globo e surgem como uma solução muito eficiente para os problemas de mobilidade urbana. Existem carros demais nas ruas, isso é um fato indiscutível. E, tanto os aplicativos de transporte quanto o serviço de carro compartilhado, são hábitos de consumo que ajudam a reduzir essa conta. Segundo estudos realizados na Califórnia, um carro compartilhado tira das ruas de nove a 13 veículos.

A expectativa é de que o apego ao automóvel seja substituído pela necessidade de se tirar mais veículos das ruas e diminuir a emissão de gás carbônico. E, com a popularização do serviço de carro compartilhado, deve aumentar também o uso de bicicletas para micromobilidade, assim como as caminhadas.

Além disso, as gerações mais novas já perceberam que possuir um veículo trás custos e responsabilidades que nem sempre compensam o uso. Não são poucas as pessoas que colocaram todos os gastos com um carro no papel e compararam com formas alternativas de transporte. Daí a explosão dos aplicativos de transportes, carros por assinatura e o serviço de carros compartilhados.

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Carsharing: serviço de carro compartilhado

A expressão veio do inglês, carsharing, e pode ser traduzida como serviço de compartilhamento de carros. Trata-se do aluguel de um veículo por algumas horas e pode ser feito entre empresas e consumidores, ou de pessoa física para pessoa física.

Atualmente, o carsharing é o modelo de transporte mais popular no continente europeu e atende mais de 5 milhões de pessoas ao redor do mundo. A previsão do segmento é de que 9,8 milhões de pessoas o utilizem ativamente pelo continente em 2025, segundo o World Resources Institute.

O serviço de carro compartilhado funciona por meio de aplicativo ou reserva no site, onde o cliente solicita o veículo. Geralmente, as reservas vão de uma hora a 48 horas e o condutor não precisa nem abastecer – o combustível está incluso no pacote. É possível pegar o carro em um posto de retirada e devolver em outro, ou pegar e devolver no mesmo lugar.

A ideia é que o serviço de carro compartilhado evolua até o ponto de o usuário poder pegar o carro na rua, liberar pelo aplicativo, sair dirigindo imediatamente, estacionar em outro lugar aleatório e fazer o checkout no aplicativo.

O serviço de carro compartilhado para muitos significa o fim de uma série de contas a pagar – combustível, seguro, IPVA e manutenções, por exemplo – e representa o fim de uma era: o sonho de possuir um automóvel. Valores como casa própria e carro próprio, que por décadas representaram sucesso e realização, estão sendo colocados em cheque pelas possibilidades fruto dos avanços tecnológicos.

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Velo-City: primeiro aplicativo de serviço de carros compartilhados

Além de startups, como a Turbi, até montadoras de automóveis decidiram investir nesse segmento. É o caso do serviço KINTO Share, da Toyota. Aqui ainda estamos falando de serviços mais próximos com a locação de carros, só que em períodos menores.

A Turbi começou em 2017 com cinco carros; em 2019 passou a ter 512. Atualmente, conta com mais de 2 mil carros distribuídos em mais de 500 estacionamentos pela Grande São Paulo, com uma média de 1,5 mil viagens por dia.

Já um dos primeiros aplicativos de serviço de carros compartilhados que se tem notícia no país é o Velo-City. O projeto prevê o compartilhamento de carros de maneira fácil e acessível. Por enquanto, o serviço atua nas ruas do Rio de Janeiro, com seis bases e cinco veículos em cada.

Para aderir ao Velo-City, basta baixar o aplicativo e realizar o cadastro que é solicitado, onde informações da CNH e cartão de crédito serão exigidas. Para devolver, o usuário também realiza todo o processo via aplicativo. Deixa a chave no porta-luvas, e trava o carro através do aplicativo.

A busca pelo veículo funciona através de geolocalização, ao abrir o menu inicial do Velo-City, o cliente procura o carro mais próximo, consegue reservar o modelo, e destravar o veículo, tudo através do aplicativo.

No Velo-City o cliente não paga pelo combustível, apenas pelos minutos de utilização. O valor é de R$ 0,85 por minuto de carro rodando e R$ 0,15 por minuto de carro parado. E se ficar sem gasolina , o usuário terá à disposição um cartão para usar dentro do porta-luvas do carro.

O cliente abastece, e guarda a nota fiscal junto com o cartão, para que depois aconteça a comprovação dos dados. A senha do cartão também é disponibilizada via app e é alterada a cada viagem.

Desde janeiro de 2020, o app da Velo-City foi baixado 600 vezes, foram realizadas mais de 700 corridas e foram adicionados veículos SUV à frota.

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Carsharing entre pessoas físicas

Da mesma forma que já existe o aplicativo Blablacar para caronas compartilhadas entre pessoas físicas, o carsharing entre pessoas físicas serve para pessoas que não utilizam o próprio carro em tempo integral e querem compartilhá-lo por algumas horas com outras pessoas, por um valor de aluguel.

Para essa modalidade de carsharing, existem aplicativos próprios onde os proprietários do automóvel e os locatários se cadastram. Nos apps, é possível combinar hora de retirada e devolução, valores e outros detalhes.

Carsharing dentro das empresas

Outra forma de fazer compartilhamento de veículos é entre colaboradores de empresas que possuem frota. Algumas empresas incentivam o carsharing de forma inovadora: indo desde informativos dentro da companhia ou via e-mail, a até mesmo lançamento de aplicativos para seus funcionários. A ideia é ter uma empresa mais sustentável e oferecer mais comodidade ao time. 

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O futuro será compartilhado! Os aplicativos de compartilhamento são cada dia mais populares e os grandes responsáveis por essa mudança de comportamento são os jovens. Com o mundo na palma da mão, a busca por liberdade e praticidade está revolucionando os hábitos de consumo. Pode não ser esse mês ou no ano que vem, mas não falta muito